
Poema para quem morre ou vive de amor Quem ama fala grego paga mico, fica bobo. Se perfuma demais mete-se a contar histórias sem a menor graça e sempre acaba esquecendo o fim da piada. Quem ama fica em dúvida em para qual lado penteia o cabelo. Canta as músicas do Cauby Peixoto, ensaia discurso frente ao espelho. Quem ama tem na ponta da língua versos de Drummond. Não se importa em ficar resfriado por andar flutuando na chuva. Vive mostrando os dentes achando que todo mundo é dentista. Quem ama está pronto para heroísmos e se dispõe a emprestar qualquer coisa que a pessoa amada queira. Quem ama mostra para todos a foto 3X4, guardada na carteira. Não compreende o cansaço e as distancias. Não dá ouvido ao disse-me-disse. Quem ama se endivida, pois acha muito justo o preço do colar em ouro e coral. Quem ama aprende a fritar ovos pra dizer que sabe cozinhar. E acaba queimando os lençóis, e manchando as camisas só pra dizer que sabe lavar e passar. Quem ama confia e não se fia que o ciúme é o termômetro de um bom relacionamento. Põe-se a escrever cartas ridículas. Quem ama valoriza as pequenas coisas tipo fio de cabelo e chiclete mastigado. Gosta de ouvir música melosa melando todos a sua volta. Quem ama chora, suspira de cinco em cinco minutos perde a noção do tempo. Quem ama sempre vê a lua de um ângulo diferente. Ouve com atenção os mais experientes no assunto. Quem ama não mata. Morre de amor. Quem ama tira notas baixas mas se esforça e recupera. Quem ama tem a sensação de levitar toda vez que encontra a pessoa amada. Gagueja as palavras óbvias, sofre por abstinência de beijos e abraços. Quem ama, jiló é doce. Que nariz de porco é 220v Que Times is love. Flávio de Araújo
Escrito por Flávio de Araújo às 12h35
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