
A mão Armada
A arma que empunhas
estraçalha os meus direitos
Rasga o nome que daria aos filhos que não virão.
Petrifica o meu andar na hipotermia das coisas mortas.
A arma que empunhas
geme o estampido estúpido.
Talha na carne os sulcos sem misericórdia
faz jorrar a vida em total desperdício.
A arma que empunhas
despolitiza meus rumos.
tenta pintar a alma incolor
e na arrogância dos enganados
acha que pode coagir
o Deus da minha fé.
A arma que empunhas
lincha nas praças de todas as cidades
os direitos supra-estatais.
Vomita a impunidade,que sempre retorna
ao próprio vômito.
Esfacela os destinos
e oferece mais uma peça,
para o quebra-cabeça dos vingadores.
A arma que empunhas
ocupa de forma brutal o espaço necessário
faz encurtar o tempo diminuto
desintegra palavras e realizações.
A arma que empunhas
endurece a cervis
torna em máquina a coisa humana.
mais que objeto
vezes pior que fera.
A arma que empunhas
empobrece miseravelmente
o homem de batalha.
Veste as esposas de luto.
Mancha de sangue
o desenho infantil das crianças.
Não legitima a legalidade
desmerece os preceitos da auto-defesa
Sela para sempre
o empunhador
e o apunhalado.
Flávio de Araújo.
Escrito por às 17h54 [ ] [ envie esta mensagem ] [link]











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