picareta cultural na flip 2010

informações geraes:
sábado, 7 de agosto, a partir das 20h no venturo's bar
endereço:
rua comendador josé luiz, s/nº - em frente ao margarida café, no centristórico
não tem mistério.
aquele esquemão de sempre: música, cachaça e poesia na cortesia.
a entrada é FRANCA.
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http://www.picaretacultural.blogspot.com/
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Valsa para Borboletas
Borboletas são pétalas sem razão de ser.
São escamas de peixes-voadores,
Flexas das muitas cores que atingem o céu.

Borboletas são aviõezinhos lançados pelo vento,
são frutas maduras que caem de uma árvore torta
chamada arcoíris.
Sei de borboletas porque cresci entre lagartas,
e estas, as lagartas, 
são bichos festeiros e vaidosíssimos:
se borboletam à dançar no baile da vida,
sem jamais pisar nos pés das flores.
Flávio de Araújo


LER É GOL!
Para ser vencedor no jogo da vida
é necessário ter a armação tática dos livros:
Prazer, Dever e Querer Conhecer.
É preciso jogar nas quatro linhas:
Na escola ser bom de cabeça,
não estando nunca na linha do impedimento;
Matar no peito as dificuldades,
driblando as imposições do mundo;
E fugir da marcação cerrada da preguiça.
É a certeza que com os livros,
mesmo batendo na trave às vezes,
sempre haverá rebote
ao chute mais forte dos sonhos.
Quem lê das drogas tira o time de campo,
Não bate bola com os pernas de pau,
Fintando a catimba da ociosidade e da indiferença.
O Bom leitor faz do livro a bola na marca do pênalti,
ouvindo o coro da torcida enlouquecida:
Olê Olê Olê Olêee!! Leiaaa! Leiaaa!
Quem veste a camisa 10 dos livros
faz parte de uma Seleção de craques
aonde Saramago cobra escanteio,
Adelia Prado cabeceia pra Zezito
e Carlos Drummond de Andrade espalma bonito.
Quem lê sabe a regra do jogo. Sempre é convocado.
Não engole frango (exceto com batatas),
não entra de sola em ninguém,
Certo é que no banco nunca é colocado.
Quem joga com a chuteira dos livros dá olé!
Pimba na gorduchinha de bicanca senta o pé!
E a torcida sabe que o gol mais bonito
Não é de cabeça, canela ou braço.
E o gol de letra dos livros.
O resto é pular e correr pro abraço!
Pois aquele que lê um livro
Faz um golaaaaaaaaaaaço!!!
Flávio de Araújo

Poeta Arredio
Perdoem-me, hoje não sou poeta
A triste ocasião me desnatura.
Hoje o coração é apenas um músculo
Com aurículas e ventrículos.
O vento é o ar em movimento.
A mulher que passa tem um
Hálito ruim.
O mascate e o leiteiro encheram-se
De suas vidas e o cobrador
Nem desistiu de cobrar-me.
Nem venham com essa comiseração
De meia idade
Porque uma coisa
É uma coisa
E outra coisa
É outra coisa.
Perdoem-me, hoje não sou poeta
Nem engraçado
E o amor está mais associado à física
Do que a química.
Porque uma coisa
É uma coisa
E outra coisa
É outra coisa.
Gargalhem de mim
Se engasguem rindo de mim.
Escarneçam da falta de rima
E circunflexos,
Do poema barato,
Do desleixo ao barbear-me.
Do intuito de não agradar ninguém.
Porque hoje não sou poeta.
Hoje não sei ser poeta.
A verve subtrai-me a ponto
De não querer sê-lo.
Sinto muito, por hoje
Poeta não sou.
Não varrerei o entulho que se amontoa
Nem polirei os troféus que se enferrujam.
Porque uma coisa é o poema que se cala
E outra coisa é o poeta calado.
É coisa
Sem
Coisa.
Flávio de Araújo

Você Poeta
Eu quero você poeta
Em sua roupa de cimento.
A coluna de novos tempos
A frase indestrutível.
Eu quero você poeta
De coração sacrossanto
Sem vícios de lero-lero
Que saiba volapuque
E que cante em mandarim.
Eu quero você poeta
Dando nome
As coisas que não tem.
Amigo do amigo do eremita.
Eu quero você poeta
Não desanimando em tristeza
Que quando alegre não te tornes tolo.
Sempre duvidando dos poetas
Que querem Deus inexistente.
Eu quero você poeta
Quando passa babosa nos cabelos
Ou tentando uma nova careta
Para divertimento pessoal.
Quando esfria a comida
Antes de ir para a boca dos pequenos.
Ou quando espanta um inseto
Dentro do mosquiteiro.
Quando expele resignação
A desfavor da maioria errada.
Quando reivindica as leis
Que o protegem de ser alguém na vida.
Quando toma café com farinha de milho
E quando o choro é mesmo inevitável.
Quando cheio de contas a pagar
Não esmorece diante do amanhã,
Mesmo não lhe pertencendo
O dia de hoje.
Eu quero você poeta
Mas não deixe que a rima o domine.
Seja livre para criticar o sistema do país.
Mas não seja rude com as mulheres,
Elas merecem as melhores rimas.
Enfim, eu quero você poeta
Para que me diga que raio
De serventia se presta
Essa gente que escreve sobre tudo.
Flávio de Araújo

Alôito na Peixaria
Para minha avó Dinah
Moro em parati
embora lula presidente
aqui quem manda é o polvo
fruto do mar é a gente.
Gosto de perna de moça
Sai de banda baiacu
Olhudo eu mostro linguado
Mando lamber sururu
Visto casaco de ferro
Toco meu cação viola
Não sou de fugir da arraia
Sou cascudo feito santola
Quero ser seu namorado
Não fique assim tão bicuda
Venha cá maria mole
Meu cação anjo te ajuda.
Pindá pra mim seu gudião
que bate qual cação martelo
não sou mais siri cagão
feito marlim do amarelo
Peragica um pouquinho
Deixa eu ficar mais bonito
Seu coração vou robalo
Com o terno do João Zé gonguito.
Mira não vá embora
Pela trilha da baquara
Se for leve meu galo
Minha espada na bandola.
Vamos andar de chicharro
Dançar na salambiguara
Depois chame seu sargo
Pra cavalgar de cavala
Minha bela prejereba
Só pra você tiro o xaréu
Nesse teu olho de boi
Pregoaí meu coração no céu.
Em terra de Corcoroca
Quem tem escama é peixe-reis
Peixe agulha não se invoca
Em malha de fio japonês.
Eu sei que sou carapau
Um mero cabeça de bagre
Mas não cangulo desaforo
De porco nem roncador
Não vá ouvir imbetara
Que dona cambeva falou
Ela só faz sororoca
De peixe trabalhador.
Vá pra minha casa
Guivira à esquerda
Vendo a casa do tainha
Tu cambira pra direita
Pergunte pra dona caranha
Onde mora tal pescador
eu tiúna pampo pampo
Tô com saudade canhanha!
Moro em parati
Embora lula presidente
Aqui quem manda é o polvo
Fruto do mar é a gente.
Flávio de Araújo
Obs. Todos os nomes em negrito correspondem a peixes,
moluscos e crustáceos geralmente encontrados
nas peixarias de Paraty.

A viagem de trem
Quero viajar de trem
Conhecer o mundo inteiro
Num trem não muito veloz.
Quero muito viajar de trem
Cortar os campos e rios
Acenar para o sertanejo risonho.
Lamber o vento no rosto.
Quero viajar de trem
Quero viajar de trem
Num trem não muito veloz
E ver o gado fugir
Descer a serra e subir
E ver a gente mineira
Saltar na outra estação.
Porque de trem é melhor
De trem a vida se enxerga
E a vida custa a passar.
Quero viajar de trem
Numa viajem pra bem longe
Vendo o sol se apagando
E a lua correndo atrás da gente.
Mas só se for de trem
Num trem não muito veloz
Num trem que leve a todos
Os que não quiserem ficar.
Porque de trem fica fácil
De trem o mundo demora
E a vida custa a passar.
Flávio de Araújo
Bem gente, esse é meu livro, você pode pedir por e-mail : flaviopty@hotmail.com
que já sai autografado (rs), também por cel: 24 99628138
também aceito depósito em conta bancária ag. 1645 c/c 6537-4
tô vendendo o peixe com rede e tudo.


somente três seres sobrevivem à um ataque nuclear:
as Baratas
os escorpiões
e os imbecis.

Fritura faz mal a saúde.
Duvida?
Então enfie a mão no óleo quente e comprove.

Um Sábio lhe dirá três ou cinco conselhos para o bem viver.
Mas a estupidez de um homem pode lhe ensinar mil coisas.
Flávio de Araújo

Meia Verdade e Dez Centímetros de Papel Higiênico
Fazem Toda a Diferença
Flávio de Araújo

Todo Segredo Deve Ser Guardado.
Exceto os que juramos não contar a ninguém.
Flávio de Araújo
Extra! Extra!
Cientistas desenvolvem um eficaz medicamento
contra a corrupção na prole dos ratos.
Os testes estão sendo feitos em políticos de laboratório.
Flávio de Araújo


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